Num primeiro de Maio, quero lá evitar esse trabalho!
Toca a pensar e a pensar sobre pensar, na Metamente
de Kaplinski, na mundana luta entre razão e espírito
– Quem é que tem razão? O outro ou o da razão?
Talvez dos dois o terceiro.
Do espírito humano apenas conheço o erro.
Errar não é humano, é espiritual, é o espírito da coisa,
essa coisa a que chamamos vida, essa coisa errante
tentando acertar na vez próxima,
“quem sabe?”
“quem sabe?”
tentando.
Usei de Ákos Fodor a Metaóptica:
“Observa cuidadosamente o mundo,
Porque tu faze-lo como o viste.”
E pouco tenho visto, ou gostaria pouco
de tê-lo visto de fronteira e margem moderadamente flutuante,
ao redor do lago no qual a pedra arremessada
ao ponto de arremesso regressa em onda.
Afinal, é para liquidar, esse retorno.
Num exemplo, só pode ser engano tentar encontrar a verdade das coisas na etimologia de uma palavra, como se o
erro-humano que criou a mais primitiva forma de expressar o que pensa estivesse mais próximo da verdade do que o
ser-humano-errado, o actual.
O erro é o padrão! Sim, Patrão!
Amanhã, acordarei num segundo de Maio, e continuarei errado.