Monday, 1 May 2006

Procura-se alma

[Texto externo mas interligado ao Um projecto de pessoa ou a inserir no mesmo]

 

 

Num primeiro de Maio, quero lá evitar esse trabalho!

Toca a pensar e a pensar sobre pensar, na Metamente

de Kaplinski, na mundana luta entre razão e espírito

 

– Quem é que tem razão? O outro ou o da razão?  

Talvez dos dois o terceiro.

 

Do espírito humano apenas conheço o erro.

Errar não é humano, é espiritual, é o espírito da coisa,

essa coisa a que chamamos vida, essa coisa errante

tentando acertar na vez próxima,

quem sabe?

quem sabe?

tentando.

 

Usei de Ákos Fodor a Metaóptica:

“Observa cuidadosamente o mundo,

Porque tu faze-lo como o viste.”

E pouco tenho visto, ou gostaria pouco

de tê-lo visto de fronteira e margem moderadamente flutuante,

ao redor do lago no qual a pedra arremessada

ao ponto de arremesso regressa em onda.

Afinal, é para liquidar, esse retorno.

 

Num exemplo, só pode ser engano tentar encontrar a verdade das coisas na etimologia de uma palavra, como se o

erro-humano que criou a mais primitiva forma de expressar o que pensa estivesse mais próximo da verdade do que o

ser-humano-errado, o actual.

 

O erro é o padrão! Sim, Patrão!

 

Amanhã, acordarei num segundo de Maio, e continuarei errado.