Se a inteligência que rege o homem se regesse pelo que alguns homens desejam, estariam já dotados de toxinas, e seriam da família das víboras venenosas. Desconheço que parte do corpo guardaria as toxinas, mas calculo que seria o cerebelo. Ou já o faz? Desconheço também que parte do corpo injectaria as toxinas, mas suspeito que viria de um ponto próximo do cerebelo; talvez a boca, os dentes, a língua. Ou já o faz?
Nesta minha aventura pela ficção pós-histórica, fui penetrado pela imagem da cobra bíblica como um elemento conservador que oferta objectos vermelhos à humanidade (ou raridade, se pensarmos no período bíblico a que se reporta aquela acção). Afinal a maçã era-o do conhecimento ou da danação? E a cobra, era venenosa? E a cobra, era sapiente do que ofertava? De onde extraiu esse conhecimento? Quem deu a maçã à cobra? Porque se conservou a cobra no Paraíso, porque não foi expulsa, impedindo-a de seduzir outros seres criados posteriormente? Uns são mais do que os outros?
Por vezes interrogo-me se os humanos deveriam ter direitos. Isso em dias tortos, bem entendido. Depois passa. Mas o veneno é de efeito prolongado, ou mortal. Talvez seja a única coisa que se conserva dos feitos humanos, e que em conserva se apura.