«(…)
Les autres jours
Tout les autres jours
j'ai promis
de ne rien dire qu'a moi-même»
A hora era exactamente sete para as quinze, naquela magnífica tarde de névoa parda que escarnecia do esforço empregue na escolha da traça arquitectónica para a cidade, e da cor da pintura sempre atempada dos edifícios. Era um dia de Abril difuso, de horário invernoso e primaveril. Lembro-me que a sede era chá e o livro estava marcado na página três, a de acabar de ser comprado.
Três. Até que seria um número mágico, se o teimoso universo das cousas que o homem percebe se desse ao trabalho de entender os símbolos com que a cabalística tenta ordenar-lhe que a entenda.
Voltando ao livro, esse era magnífico. Com reticências. Utilizava citações em língua estrangeira para introduzir cada capítulo. Ou seria para introduzir a ideia de que o escritor também lê e que os leitores deverão frequentar cursos intensivos de cada uma das línguas citadas? Porém, mais uma vez, um ávido leitor retornaria desapontando à realidade ao não se deparar com uma única citação em inuíta, o que deve ser semelhante a quem regressa ao igdlu, como se diz em esquimó oriental, sem peixe ou foca para aplacar a fome, caso ainda não se esteja ocidentalizado e a viver em depressão numa bela cabana com televisão por cabo.
Reviravolteando à hora, lembro-me claramente, como se o tivesse esquecido agora, que me esqueci daquilo que não me lembrei naquele momento.
Se era importante o esquecido?
Ah!...
Acaso já se escreveu, uma linha que fosse, sobre o dispensável?