Chamo-me Abstenção da Urna.
Eu é que ganhei as eleições presidenciais, com o segundo candidato recebendo apenas 25% dos votos.
Por isso, eu é que tenho legitimidade para fazer silêncio sobre todos os assuntos, e a obrigação em génese de não comentar.
Se quiserem pôr escutas nos telefones ou interceptar a minha correspondência electrónica, façam-no: descobrirão nada.
Eu é que sou pura, e nem necessito nascer segunda vez para apresentar sempre um registo imaculado.
Irei reduzir a despesa da presidência da república para valores recordes. E jamais apelarei a que reduzam as despesas públicas enquanto eu aumento aquelas sob minha responsabilidade, como o fez o candidato que derrotei.
Nunca empossarei a minha prima, Demagogia da Urna, em qualquer cargo, ao contrário dos meus adversários.
Eu é que irei arejar o Palácio de Belém como ninguém o fez, apenas com oxigénio, e um mínimo de poluição atmosférica para dar um pouco de cor.
Podem acusar-me de pouca inteligência, mas dessa nem vestígios possuo.
A mim a presidência!