Dedicado à Paloma,
que escreveu:
“Nunca vi ninguém chamar carinho de padrão.”
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O amor dum homem? – Terra tão pisada!
Gota de chuva ao vento baloiçada...
Um homem? – Quando eu sonho o amor dum deus!...
Florbela Espanca
Carinho é um padrão feminino,
que se expressa em gradações diversas no macho
também, via o vaginário.
O vaginário é a réstia do lábio;
o contorno do orifício da perna amputada ao macho
quando se tornou macho.
Tornar-se macho é ser-se perneta
de um ponto de vista estritamente cromossomático,
e tal não é bom nem mau.
Nem bom nem mau é benigno
ou maligno, consoante o ponto de vista escolhido
para observar o que se vê.
O que se viu até este momento
foi um padrão, originado por se repetir o mesmo
até que alguém entenda.
E, se houver alguém, será entendido.
Pode-se parar a repetição.
A repetição cansa.
Forma padrões mas cansa.
O padrão é a mesmice.
A mesmice cansa.
Cansa quem entende o padrão.
Quem existe logo entende.
Do carinho:
– É feminino.
Do feminino:
– É criar a cria.
Da cria:
– É ser bem criada.
Da criação:
– É um fruto.
Do fruto:
– Pode ser seco. Mas se se lhe juntar adubo, água e amor (é energia)…
Da energia:
– Um sol tem tanto amor que se consome.
Do consumo:
– Quem compra fica na posse.
Da possessão:
– Se nem o que és é teu, o que esperas para que [um ponto de vista].
Carinho é um padrão feminino
que se consome tanto...
Traduzido para uma língua-macho, é Mãmante.
Ser macho é ter menos espaço para ser preenchido.
E maior superfície exterior para contacto com a realidade.
Tal não é bom nem mau.
Carinho é tão padrão,
tão fêmeo,
que um ser assim feminino
quer acarinhar o divino,
sentir a genitália de [um ponto de vista].