Saturday, 9 July 2005

Borregando

Sois ovelhas, ovelhas, ovelhas!


E eu não sou o vosso pastor.


 


Se vos passarem a mão pelo pêlo,


No afago dizeis que sim a tudo.


 


E no elogio de que sois Sóis,


Vossa lã rebrilhará em sorrisos.


 


Sois ovelhas, ovelhas, ovelhas!


E eu não sou o vosso pastor.


 


Sempre seguis o vosso erro pensado


Como o borrego não desmamado.


 


E procurareis conforto no lombo


Da prima ovelha que vos dê o ombro.


 


Sois ovelhas, ovelhas, ovelhas!


E eu não sou o vosso pastor.


 


Se o caso não for noticiado na têvê


Ficais feliz com o que não se vê.


 


E que bom ter um eleito borrego


Que vos aponte o curso do sossego.


 


Sois ovelhas, ovelhas, ovelhas!


E eu não sou o vosso pastor.


 


Ah, que encanto é ver-vos balar,


Fechando as orelhas do pensar


 


Sempre que a flauta é amelódica,


E pouco elogiosa, apesar de módica.


 


Sois velhas. Oh, que velhas ovelhas!


E eu sou a negra, não o pastor.


 


Serdes rebanho não era metáfora,


Mas o que se vê neste olhar de fora.


 


Ó velhas!