Sois ovelhas, ovelhas, ovelhas!
E eu não sou o vosso pastor.
Se vos passarem a mão pelo pêlo,
No afago dizeis que sim a tudo.
E no elogio de que sois Sóis,
Vossa lã rebrilhará em sorrisos.
Sois ovelhas, ovelhas, ovelhas!
E eu não sou o vosso pastor.
Sempre seguis o vosso erro pensado
Como o borrego não desmamado.
E procurareis conforto no lombo
Da prima ovelha que vos dê o ombro.
Sois ovelhas, ovelhas, ovelhas!
E eu não sou o vosso pastor.
Se o caso não for noticiado na têvê
Ficais feliz com o que não se vê.
E que bom ter um eleito borrego
Que vos aponte o curso do sossego.
Sois ovelhas, ovelhas, ovelhas!
E eu não sou o vosso pastor.
Ah, que encanto é ver-vos balar,
Fechando as orelhas do pensar
Sempre que a flauta é amelódica,
E pouco elogiosa, apesar de módica.
Sois velhas. Oh, que velhas ovelhas!
E eu sou a negra, não o pastor.
Serdes rebanho não era metáfora,
Mas o que se vê neste olhar de fora.
Ó velhas!