Vinda lufada de ar amigo,
bravio e breve mas atento;
ida mas sem me levar consigo,
deixando em mim leve alento.
Agora sem medida, essa mentira enquadrada,
ficou no dígito o odor algo intenso de quase nada –
não a dor –
e as faces coladas no rio de sol marinho
e o riso trôpego alemão, espanhol – não! – argentino.
Voltemos atrás, à idade média, ao castelo;
voltemos ao abraço dado por trás na pedra quente;
voltemos mais para trás, à última impressão da coca-cola,
essa que foi primeiro que a média idade da viola;
e mais atrás ainda, aos dois beijos profanos, repetidos
na ruína atrás da ruína atrás da capela.
Desçamos, mon dieu, ça va, em francês
pelas ruas estreitas até à fonte, o remanescente do cortês,
sem olvidar de repetir o edifício longo e amarelo.
Mas nada disto revela o desdobrado olhar castanho,
cor de terra encharcada,
nem a boca de língua demolhada,
nem o terno toque encantado,
nem o pêlo eriçado, quem sabe, pela pergunta, "Quem és tu?"
Sou uma memória da sereia pública da Caparica.