Thursday, 13 January 2005

Não Me Acordes


Não me acordes
Nem me chames à razão
Tudo o que sinto
É aquilo que sou
E quero ser
E se me o tentarem tirar
Ladrarei
E vou morder
Com tanta peçonha
Que os predadores uivarão
De vergonha

Não me acordes
Nem me chames à razão
Dá-me apenas
A tua mão
Quando puderes
Dá-me o teu cheiro
E a tua pele
Dá-me o suave toque
Um pescoço
Tudo no mesmo postal
Deste calmo alvoroço

Acorda-me apenas
E chama-me pelo nome
Nas saudades
Ou se as palavras
Forem cóleras ou
As mãos ásperas
E aquele cheiro
A desvanecer
Se esvair
No caminho de não
Saber para onde ir