Wednesday, 12 January 2005

Antopeta

E Antopeta estacou por aquele triz em que as palavras eram insuficientes de tantas serem e de tão lentas a surgir ligeiras. E quedou-se em múltiplos paradoxos e não saiu do poço rectangular do susto. E já não era Antomo, nem nada mais do que partícula duvidosa. E encaixotou-se no indiviso e fez silêncio ("outro embuste!").

- Pequeno poeta, que esperavas, que querias?

- Não ser Antalgo, nem reflectir, nem ser reflexo, nem ter complexo: desnudo de redundâncias, despido de arrogâncias, a descoberto da ânsia; ou estúpido por crenças ou por vil quotidiano ou por máscara bifronte; tudo excepto voz, e corpo, que a gera, e consciência, que a nega, e sonho, que a expande (outra fonte!).

- Mísero poeta, emudece-te então.

Antleta de pernas longas, querido atroz, quer ido veloz, saltou outro declínio e estatelou-se nas vagas ondas.

- Outro tonto...

- Outro tanto!

- Sossega-te...

* * *

Peta = mentira, em Português de Portugal