Pela primeira vez pus nos olhos os olhos de mar
Foram oferta de quem por mim passou
e que talvez se delongue no ficar.
Abri-os bem, pensei que se tinham embaciado.
Se das dioptrias, se da profusão de cores,
abri a boca; quedei-me pasmado.
Quedei-me pasmado, e isso no primeiro dia.
Imagine-se então no quinto ou oitavo,
quanto pasmo me ainda quedaria.
À noite, ponho os olhos de mar de parte.
Parte-se-me o cérebro para o sonho,
e se for pesadelo é-o como arte.
Queria explicar-te o que com os olhos vejo.
Mas é tão difuso quanto a separação
entre a ocasião e um final ensejo.