Sunday, 6 March 2011

A Musa da Fuga

Diziam os poetas que a Musa os abandonou.
Tenho dúvidas, e proponho outra tese.
É o poeta que por susto afasta a Musa.

O poeta é um fingidor, disse Pessoa.
E pouco se pode adicionar ao que diz um Poeta.
Mas a soberba possuiu-me por um instante.
Assim digo que o poeta é um apressado.
Que cria futuros ainda no pouco passado.
Que semeia ventos e colhe tão somente brisa.
Que quanto mais se incha mais se minimiza.

Perdão, não me socorri duma económica escrita.
Poderia ter dito apenas que o poeta é pobre.
Do tipo de pobre que pensa muito e dá pouco.
Pensando, o pobre, que pariu um admirável algo.

A Musa disse-lhe olá e ele respondeu amo-te.
A Musa disse-lhe chamo-me e ele pôs-lhe um nome.
A Musa ia passear e ele disse fica.
Não há Musa que se aguente.

Fuga.