Saturday, 25 February 2006

Uma empreitada de utilidade poética

Um poeta pode ser muito útil ao planeta.
E poetisa; ressalve-se a igualdade no direito.

E quantos mais houver, melhor ainda,
porque há aqui um trabalho a fazer, urgente.

E contentem-se com a empreitada
para a qual vos reservo, antes que todo
o que fale o faça em poesia.

É que isso faria da linguagem corrente
a poesia irrompendo pelo quotidiano,
e a vossa poética voz, hum, monótona.

Venham comigo, com a vossa sagaz mente,
a cada campo minado,
abandonado de gente.

Caminhem declamando,
de mãos dadas, e inspiração ao alto.

Varram todo o centímetro quadrado
de terra desvalida,
e no entanto pelo homem semeada.

E, quando rebentar uma mina,
em lugar de jorrarem sangue, veias, e ventre,
transformem a explosão numa metáfora
e os vossos corpos em ar puro.

E, em vez de rebentamento,
que façam brotar uma flor deslumbrante,
que só a vossa poesia concebe.

Esta empreitada está aberta
a poetas de qualquer género e de qualquer género,
da idade crescente até à avançada,
embora haja uma prioridade:

Emprega-se primeiro o comandante
que mandou plantar aquela mortal semente
desde que convencido por um poeta
a substituí-lo na tarefa.

Todo o currículo ou carta de ofensa
deve ser dirigido ao dono da obra,
Assina: o Grande Arquitecto do Mundo.