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Tuesday, 18 July 2006

Aos dias de chuva, futuristas por natureza

 

No dia da nuvem nossa,

prometo-te gravidade

na queda impregnante

e, no impacto,

naquele pó já alheio,

lama. Prometo-te.

 

De modo delicado,

como num verso de

Cerante no momento

em que nos quebra,

juro-te ainda

obedecer a toda a lei

que reja as leis da física

tal como o faço agora,

talvez de modo quase,

ou quântico.

 

Temo apenas o tombo

teu antes do tempo e

da companhia;

de cada gota que te cai

no lago biográfico.

 

 

 

Wednesday, 16 November 2005

Curtos murmúrios; memórias longas

Ao Sergio (Cerante) Ornellas, e a outros que de triste encante

 

 

Naquele dia, o rapaz acordou diferente.

Disse umas palavras tristes e esperou.

Quem diz umas palavras tristes pouco espera.

Logo vem uma alma de mãe universa.

Vem curar a tristeza, vem ninar o moço.

 

Em cada dia seguinte, o rapaz acordou diferente.

E acordou outra vez uma, três mães, sete.

Sabes, aquela mãe de paciente voz cantante?

Nos dias anteriores a isto, a mãe era sirene.

Cantava o doloso, “Eis o meu regaço.”

 

Chegou no fim o dia em que algo sucedeu.

O rapaz não andava triste e morreu uma sereia.

Acordaram os dois fora do nó, só em laço.