Wednesday, 16 November 2005

Curtos murmúrios; memórias longas

Ao Sergio (Cerante) Ornellas, e a outros que de triste encante

 

 

Naquele dia, o rapaz acordou diferente.

Disse umas palavras tristes e esperou.

Quem diz umas palavras tristes pouco espera.

Logo vem uma alma de mãe universa.

Vem curar a tristeza, vem ninar o moço.

 

Em cada dia seguinte, o rapaz acordou diferente.

E acordou outra vez uma, três mães, sete.

Sabes, aquela mãe de paciente voz cantante?

Nos dias anteriores a isto, a mãe era sirene.

Cantava o doloso, “Eis o meu regaço.”

 

Chegou no fim o dia em que algo sucedeu.

O rapaz não andava triste e morreu uma sereia.

Acordaram os dois fora do nó, só em laço.