Ao Luiz Felipe Coelho, que não segue conselhos
Não lhe inveje o penacho,
Nem com seu seixo contundido
Lhe alveje o andrógino corpo.
É certo e sabido que pássaro
Ferido sempre cai por um momentoAntes de levantar de voo novo,
Se for saído do ovo faz um tempo.
Sim, qualquer pássaro será morto,
Mas não será bastante distintoSe for de pena em gaiola preso
Ou morrendo de azul divino?
E já pensou porque voa o bicho,
Escapando do que é térreo,Lama primordial, fértil esterco,
E que deu origem ao seu ser aéreo?
E, mesmo assim, não está safo,
Cruzando os ares bem mais alto,Um gavião qualquer é visto,
Visto que pássaro é um prato.
Pois bem, quer vê-lo atraído?
Encha uma taça de cristalinoLíquido, outra de louro milho,
E o desterrado aterrará em desatino.
Observe: o que era graça é nervoso,
O que era asa é pluma e oco osso;Para que queria este pássaro?
Qual lhe seria o seu uso?
E qual o conselho que não se segue?
A nossa febre deles é neles gripe.
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Foto por Jennifer Allison
