Naquele dia, de aborrecimento, o pobrezito decidiu brincar aos adultos.
Foi um caso sério.
Felizmente, na infância é possível misturar tudo de novo e recomeçar, como se de uma gargalhada se tratasse, como se tudo se tratasse com uma gargalhada.
Sim? Aqueles miúdos ali não riem?
Vamos adjectivar, esse vício tão humano.
O adjectivo é a tradução para palavras talvez mais próxima do que se sente e do que se julga.
Aí vai:
A fome é adulta. Ou faz crescer as crianças magricelas ou as mata sem piedade, podendo estas duas opções concretizarem-se em simultâneo. É o caso pior.
O adulto esfomeado de criança indica, empurra para um caminho zigzagueante um novo adulto que nunca viverá outro estádio.
A criança esfomeada de adulto não morrerá à fome.
Serão inteligentes aqueles que defendem que os que continuam brincando
com todos os assuntos pela vida fora são os mais inteligentes?
Seria triste morrer estúpido mas de barriga cheia.
Seria estúpido morrer triste.
E de barriga cheia.
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Imagem: http://www.foodfirst.org/pubs/backgrdrs/1998/s98v5n3.html