I
No outro dia olhei-te nos olhos numa face de um desconhecido no metro.
Há dias em que tudo de algum modo exercita-se na minha memória.
Alguns são parecidos com alguém de quem tirámos os olhos e depois não.
Mas este é mais um ano após as coisas que não podem ser intermináveis.
De igual modo uma ex-colega caminhou na minha direcção tal como ela era na infância.
Nunca pensei que isso nos sucederia também incidentemente.
Ó deus quão teria gostado de estar ao teu lado.
Estás ali em pé no metro e zás envelheces de repente.
Frequentemente penso como reagiriam um ao outro estes dois corpos.
Como teu cheiro seria tenho a certeza que deve ser diferente agora.
Se ao menos pudessem reagir um ao outro estes dois corpos.
Há uma pequena cicatriz no lugar onde nasceu o meu filho.
De algum modo as minhas ancas alargam-se também eu não sei a razão.
Para tudo isto não encontro nada que realmente me agrade ou canse.
Olhar para aquela outra face foi tão confuso.
Ali estavas com os teus olhos de desconhecido olhando a minha boca de desconhecida.
II
Por vezes assusto-me parece-me ouvir a minha mãe quando falo.
No cinema recentemente ela quase falou comigo de um espelho.
O modo como ela segurava no sabão subitamente atingiu-me o sentimento.
Todos aqueles anos merdosos que desperdício sem sentido foram.
Isto para não falar do homem com quem vivo em certas entoações familiares.
O nosso cão também me faz lembrar muito quando me olha desse modo.
Sobre a minha mãe mesmo agora não estava exagerando.
Atenção porque falo de tudo isto eu não sei dizer.
Foi no último Natal quando era ainda uma criança que recebi um gatinho.
Vivíamos ao lado da mercearia a estrada movimentada estava coberta de neve.
Viu-me correu para mim atravessou a estrada naquele instante.
Quantas mais vezes terei que aprender estas coisas.
Antes de digamos um seixo uma castanha uma folha de árvore.
Responderias que era exactamente por isso e que realmente poderia ser.
Algo que eu também saberia e quem a tivesse visto.
Insensatez digo que me tornei a estudante mais aplicada da criação.
III
No ano passado no início do outono quando nos mudámos para esta casa.
Nada para além de pó de tinta por todo o lado nada para além de diluente.
Esperámos talvez que o nosso hálito o modificasse afastasse o bafo.
Então arrefeceu gradualmente depois disso não me recordo.
Subitamente nas manhãs não podíamos sair para o terraço.
Sentaste-te com um café e começou a ficar frio com o teu casaco.
Fora com o teu casaco fora tenta arrumar os locais vazios.
De algum modo resolves as coisas consegues cair de pé.
Qual remota estação esta luz de hoje é tão fora de casa.
É como se eu fosse outra pessoa ou mais como estivesse algures.
Entrei buscando uma jaqueta apesar de ser ainda apenas.
Não é tanto as cores mas a qualidade do ar de hoje.
Saber que não é o verão que se desenha mas a face do outono.
Vê aquela folha um remendo de ferrugem em forma de boca enoda-a em silêncio.
O meu pequeno filho esgazeia do passado um gatinho de olhos de bebé.
O fumo fino do ar parado assinala eu fixo o olhar no fixo o olhar.
Adaptação da versão inglesa de David Hill por António Dinis Lopes
Link com informação relevante e revelante sobre a autora: http://www.arcpublications.co.uk/biogs/toth.htm