Tuesday, 1 August 2006

Krisztina Tóth, considerações sobre

 

Apresentei-vos a húngara Tóth, algo próxima da morte germânica: Tod. Mais negro do que a Europa central, sem mar, não creio que haja — Oh, não desejo terras sem mar aos humanos! E os Cárpatos são luminosos, ao contrário do que vos dizem mentirosos profissionais, como Bram Stoker. Do contraste com essa cadeia montanhosa advém o negrume?

 

Talvez a autora seja tão negra quanto verdadeiramente o é possível... para o clássico burguês da esquina, do kiosk, do café e do whisky. Da foda. Do samovar. E da desova. Entenda-se.

 

E digo negra porque, insisto, sem mar, há cavaleiros e estepes, colinas onde a armadura também metafórica é inútil; tudo se atravessa, se sobe e rebola. Nesse centro da Europa central, há impérios e imperiosos desejos de nação, talvez o oposto da danação de ser parte subjugada e tão estrangeira na própria terra. Há waldes de florestas! E sangues e histórias assumidas de culturas muçulmanas, judaicas, ciganas (designar a cristã por cultura é um superlativo embriagado, essa beberrona), e até de corrente linguística pós-glaciar, a cultura fino-úgrica.

 

.......

 

Ia moralizar-vos. Ia falar do excelso uso que se deve dar a determinado tipo de literatura. Enfim, ia ladrar. Ia descascar os tempos consumidos burguesamente na internet. Ia fazê-lo, talvez, mas a Rosa distraiu-me e agora são horas de dormir aburguesadamente. Sendo assim, uivo algo inteligível para as vossas luas, que se são negras é porque são novas. E quem sou eu para moralizar-vos, ia?