Thursday, 31 January 2008

Facto, ficção e fixação

 

Facto

 

Sentado ombro a ombro com uma mulher que o atraiu, tenta convidá-la para um encontro sexual, por gozo ou por educação, esfregando a mão, de dedo médio distendido e restantes encolhidos, ao longo da sua própria perna, a mais próxima da gazela.

Aborrecido pelo seu gesto apenas ter sido detectado por um terceiro — vá-se lá saber porquê, o narrador —

 

Ficção

 

ele dirigiu-lhe a palavra:

— Amo-te neste instante. Vamos amarmo-nos fisicamente?

Por um feminino momento considerando a resposta, versada que era nos ensinamentos de Ghandi, pai e alma, Buda, corpo e espírito, Cristo, pão e vinho, Maomé, bomba e haxixe, e femininamente gerindo a surpresa enquanto analisava o dono da voz, isto é, em meio segundo, ela responde de asco.

— Seu pervertido!

 

Fixação

 

    O mundo ainda não está preparado para o amor universal. Nem a imundice dum homem o torna do mundo, em termos única e exclusivamente humanistas.