E se mais nada de bom fizer por aqui,
posso sempre reclamar como ganho
o quanto te penetrei para além da superfície,
do palpável, do rígido;
que cresci para um ser comunicativo
capaz de gravar um impressionante vinco –
vitória de um infinitésimo ser sobre a matéria;
uma impressão para além do muro
que é este ser noutro o que é apenas outro,
saberes de mim o que é apenas teu,
ser em ti o que é apenas percepcionado.
Que senti que, em pulmão rasgado e pleno,
o que tinha partido daqui havia chegado
intacto
– doce? –
ameninado,
bastante!
que o mensageiro não havia sido morto
pela sua aparência nem desvirtuado
por aquela relutância que protege
o que é nosso do restante.
E que no retorno abri em mim o nosso peito,
que já não era eu nem meu, esse tão pouco,
e recebi um furacão tornado de uma senda
de destruição benigna e rarefeita.
E que fui desfeito para ser refeito, disse-te?
Não mais percebo, e tu sabe-lo,
porque finda o troféu num egoísta eu.