Saturday, 28 January 2006

Cortando por entre o mundano


E se mais nada de bom fizer por aqui,

posso sempre reclamar como ganho

o quanto te penetrei para além da superfície,

do palpável, do rígido;

que cresci para um ser comunicativo 

capaz de gravar um impressionante vinco –

vitória de um infinitésimo ser sobre a matéria;

uma impressão para além do muro

que é este ser noutro o que é apenas outro,

saberes de mim o que é apenas teu,

ser em ti o que é apenas percepcionado.

 

Que senti que, em pulmão rasgado e pleno,

o que tinha partido daqui havia chegado

intacto

– doce? –

ameninado,

bastante!

que o mensageiro não havia sido morto

pela sua aparência nem desvirtuado

por aquela relutância que protege

o que é nosso do restante.

 

E que no retorno abri em mim o nosso peito,

que já não era eu nem meu, esse tão pouco,

e recebi um furacão tornado de uma senda

de destruição benigna e rarefeita.

 

E que fui desfeito para ser refeito, disse-te?

 

Não mais percebo, e tu sabe-lo,

porque finda o troféu num egoísta eu.