Ao Ricardo Cabral, pelo seu inquérito tão consulta:
http://ricardodc.multiply.com/journal/item/221
Sou aquilo que guardo.
Chamam-lhe memória ao cadafalso
de onde prisioneiros gritam:
— Libertem-me a mim!
Tarefa impossível é
libertar todos pela única porta,
num único momento presente,
enquanto, novo, outro entra.
Reunidos no pátio da lembrança,
conta-se qual o seu número.
Que coisa extraordinária!
É comum um em cada cada
que sob nova contagem clama:
— Eu nem existi!
(A etimologia de cadafalso?)
Assim, num único golpe
de Alzheimer lento
ou de morte em plena faculdade,
voltarei à coisa que nasci.
Por isso ainda julgo,
encerrando a porta de aço,
que, não sendo do meu comando
o prisioneiro que entra ou o que sai,
essencial é o que deles faço.