Sunday, 1 April 2007

Carta por encomenda de uma mulher que queria ser sonhada

  

      Meus cabelos nos seus dedos...

      ...Meus dedos os seus cabelos,

      seus dedos nos meus cabelos...

      ...Que longas unhas as dos seus cabelos.

                                     Poeta incógnito






Não sei se adormeci. Deitei-me

e pensava porque não pensava em ti.

Sem saber que pensar é sonhar acordado,

acordei sobressaltado do que sonhando pensei.

Sobressaltado porque pensei que saltavas sobre

o meu corpo que jazia inútil pensando se sonhava

contigo – ou seria meu pasmo o de amor e embasbacado

sonhava que pensava que saltavas sobre mim porque quero

e não me mexo nem fujo nem que pudesse e não posso

e essa pressão que a exerces no meu corpo se esse é

o meu corpo ou o meu ânimo e se estou de acordo.

Lesmamente, debaixo do meu tórax ora do teu,

regressou a ordem das coisas. E o mundo

não se importou quando te aspirei

um que ainda trago de cheiro,

e que dele cheio não sei

se me deitei. Adormeci.