Parabéns a mim mesmo
(Reflexão superficial sobre a razão profunda de andar à tona)
Tinha 36 anos de vida.
Queria mudar algo.
Pensei fortemente.
As opções eram de ordem vária.
Poderia abraçar a infantilidade.
Evoluir alegremente.
Abrir o entendimento.
Com uma pitada de riso.
Ou regredir à idade adulta.
Quando tudo é sério.
Pudera, com tanto passado.
E exíguo futuro.
Ou seguir um caminho.
Ignorando qualquer outro trilho.
Tapando a lateralidade à burro.
Cujas palas ele não pediu.
Nem convocou mosca tanta.
(Burro rebelde pisca um olho?)
Ou pensar numa novidade.
Como se houvesse novo rumo.
Que a consequência não é fruto.
E que a causa é efémera.
Ou perfilhar uma filosofia.
Como quem adopta uma filha.
Amando a própria emoção.
Fechando o olho ao defeito.
Quem é perfeito, quem é?
Ou juntar lição de vária fonte.
Formando padrões e ligamento.
Tecendo consideração ajuizada.
Sobre o que tudo é e sobre.
Nada disto me aprouve.
Abençoado sou desde o parto.
Em mim a divina indecisão.
Da tentação é oposto.
Pensando passou aquele ano.
E agora penso se passa outro.