Tuesday, 11 July 2006

Auto-Parabéns

Parabéns a mim mesmo


(Reflexão superficial sobre a razão profunda de andar à tona)


 


Tinha 36 anos de vida.


Queria mudar algo.


Pensei fortemente.


As opções eram de ordem vária.


Poderia abraçar a infantilidade.


Evoluir alegremente.


Abrir o entendimento.


Com uma pitada de riso.


Ou regredir à idade adulta.


Quando tudo é sério.


Pudera, com tanto passado.


E exíguo futuro.


Ou seguir um caminho.


Ignorando qualquer outro trilho.


Tapando a lateralidade à burro.


Cujas palas ele não pediu.


Nem convocou mosca tanta.


(Burro rebelde pisca um olho?)


Ou pensar numa novidade.


Como se houvesse novo rumo.


Que a consequência não é fruto.


E que a causa é efémera.


Ou perfilhar uma filosofia.


Como quem adopta uma filha.


Amando a própria emoção.


Fechando o olho ao defeito.


Quem é perfeito, quem é?


Ou juntar lição de vária fonte.


Formando padrões e ligamento.


Tecendo consideração ajuizada.


Sobre o que tudo é e sobre.


Nada disto me aprouve.


Abençoado sou desde o parto.


Em mim a divina indecisão.


Da tentação é oposto.


Pensando passou aquele ano.


E agora penso se passa outro.