Friday, 31 March 2006

Da pequena guerra

Dois homens zangavam-se no átrio do edifício.

Um erguia a voz sobre o outro, o outro a voz sobrelevava.

Pensei nos cães, ao ladrar. E nos desafios que o macho mamífero lança

um contra o outro.

Pensei que aquele vozear mostrava ao outro a pulmonar capacidade,

aviso preliminar da durabilidade se houvesse lugar a combate.

 

Talvez até o roncar tenha algum sentido.

O macho é de guerra mas sobretudo de defesa,

pois macho que tem cabeça sabe que o corpo sofre.

Se puder afugentar o intruso apenas à força d' urro...

Um predador ou simplesmente curioso noctívago

poderia hesitar na proximidade da sonora advertência,

naquela hora em que o guerreiro, frágil, se restabelece,

e tão bem o mundo, frágil, o faria se lhe dessem descanso.

 

Cessando as palavras e os ecos, encerra um a porta com violência:

“Caso haja batalha, esta é demonstração da minha potência.”