Ah, este amor-cão!...
e eu na tua por atracção.
Apenas um de nós sairá vivo
desta animalesca relação.
Ensinaste-me a fertilidade da merda,
e que o odor exige habituação.
Ensinei-te que da liberdade a perda
nem sempre será um senão.
Lembro-me das ondas, quando as viste
entre forte temor e admiração.
Deslumbraste-te de areia e sentiste
que trincar líquidos o é em vão.
Esta rima tão parva não é um acaso;
é a que melhor serve de ilustração
a um sentimento tão bem animado:
amor-cão, amor-cão, amor-cão!
E quando não rimamos, ouço-te
ladrar bem alto: estou vivo, uivo,
sou feroz, e matreiro,
mordo tudo: sapato, rabo e rato.
Mas no teu silêncio o olho diz-te:
Dá-me comida, por compaixão.
