Na ordem natural, em desordem a vida.
O cão torna-se velho e morre em espelho;
a mãe, ela segue mas numa via paralela;
dos sobrinhos temos margem de sobra;
e no trilho deles todo o filho. Ou adopte-se.
Dos amantes, dormimos com todo o amante
e eles com todo o nosso, sem beijo ou osso
trocado (o osso) e acariciado (o beijo),
mas toma lá um postal vírico no verso:
“Poderíamos ter sido nós; não foi”
assim, sem pontuação final ou diagnóstico.
E do juízo, julgamos que o siso nos cresce
a cada menos um dente. Ardendo a madeira
da memória, no fumo diferente a de cada,
em cada, a floresta lida ou, nela, uma sesta,
e cinzas na cadeia do pensamento próprio.