Ele há um fado que pede
"Lisboa, não sejas francesa."
Nunca entendi essa letra
que pela negativa reclama
retorno a uma portugalidade.
Se bem que não há regra
que diga que o que se cante
tem que fazer sentido,
e o autor, na onda da rima,
é arrastado por uma corrente,
e pode embater numa rocha,
quebrando o crânio, criando
vacuidade no derrame.
Contudo, naquela madrugada,
metidos num esconso com vista
sobre os telhados do Rossio
e os da Praça da Figueira,
avistámos dessa betesga a pinta,
e ela disse, "Parece Paris."
E foi, nesse ver finalmente a face
dessa Lisboa afrancesada,
e por vírus a espirrar obrigado,
e sem me poder assoar no momento,
que pinguei. Também do nariz.