Wednesday, 21 November 2007

Pê mudo maiúsculo - Parte I

Talvez porque em breve seja aprovado o novo acordo ortográfico, talvez porque o tópico surgiu na oriental conversa com Ana Lúcia, quero professar o meu pê maiúsculo de céptico antes que seja declarado ilegal.

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De Deus apenas conheço intimamente a sua forma prefixada: adeus. E, tomando em conta o trabalho que João de Mello e seus colegas desenvolvem, talvez Deus seja afinal um buraco negro que emite partículas tão poderosas que oblitariam o ser humano. Afinal aqueles que dizem que Deus é negro têm o seu quê de razão. Ou talvez esse buraco misterioso e destruidor seja o Diabo, o que faria com que Deus se abrigasse na Terra, defendendo-se atmosfericamente como pode. E aí a história estaria toda mal contada. Deus na terra e o Diabo estelar. Faz sentido esta última ideia se adicionarmos outros dados como «Deus é amor». Não consta dos anais da era espacial que os astronautas tenham amado mais os seus companheiros durante as viagens. Outrossim, vieram mais conscientes da nossa fragilidade e precaridade, da beleza daqui. E, após aterrarem, tornaram-se mais divinos, isto é, preocupados com os assuntos terrenos. Também os muçulmanos veriam o seu paraíso bem mais real, tal a quantidade de virgens que já nascem nessa condição neste planeta. E se se matassem para obter a prometida vida (?) paradisíaca apenas a estariam a perder. É que o Islão é religião recente, importou todos os vícios de forma e conteúdo das suas antecessoras e, no caso das virgens esperando os guerreiros da fé, cheira que importou a ideia por transmissão oral via nórdicos, os varegues, de ascendência viking e saxónica, ao serviço da guarda imperial bizantina. Virgens, valquírias; a  imaginação humana é incendiada com facilidade. Especificamente sobre o catolicismo, remeto todas as questões para o ensaio The Devil (1899), de Robert Green Ingersoll. E talvez passe a remeter questões para textos doravante, tal o prazer que a ideia acarreta. As palavras-resposta seriam tantas que as dúvidas se afundariam, com Noé e os pobres e defecantes animais que tiveram o bom senso de não se comer uns aos outros. Ao contrário de outros.