Sunday, 18 November 2007

Bate leve, levemente, como quem chama por mim

Loja vende drogas leves - Primeiro espaço comercial do género em Portugal
publicado em 2007-02-09 17:50:10

 

É a primeira smart-shop a abrir na Europa, fora das fronteiras da Holanda, onde nasceu o conceito. A Cogumelo Mágico, que ontem abriu num centro comercial de Aveiro, propõe-se vender, a adultos, uma variedade de produtos naturais – ervas, cactos e cogumelos – que possuem substâncias alucinogénias.

 

Segundo contou ao Correio da Manhã o proprietário, Carlos Marabuto, “tudo o que se encontra à venda é completamente legal e não faz parte de qualquer lista de substâncias proibidas”. E acrescentou: “Não violamos qualquer lei, no entanto, não fugimos à verdade e afirmamos que o que se pode encontrar na smart-shop são produtos naturais que contêm produtos activos que proporcionam viagens alucinogénias de algumas horas.”

 

Carlos Marabuto, que importa a mercadoria a partir da Holanda, viu neste negócio “uma oportunidade excelente” e confessa que não teve qualquer entrave ao seu licenciamento. “Pedi uma licença à Câmara de Aveiro para abrir uma ervanária, com acesso restrito a maiores de 18 anos. Eles estranharam, mas autorizaram”, conclui.

 

Ontem, dia em que abriu portas, a smart-shop Cogumelo Mágico já teve dezenas de clientes – na maioria jovens – e nenhuma visita das autoridades. Erva sálvia (também conhecida como erva Maria), pronta a ser fumada ou para fazer chá, cactos “com pura mescalina” (uma substância altamente alucinogénia usada pelos índios americanos), kits para cultivo de "cogumelos mágicos" e instrumentos variados para consumo de drogas fazem parte da lista de vendas, com preços entre os cinco euros e meio e os 60 euros.

 

Questionado sobre o impacto que esta loja inédita terá, Carlos Marabuto está confiante de que “pode ser um factor para mudar mentalidades”. “Em Portugal, a venda e consumo de álcool é aceite e, seguramente, provoca muito mais problemas e até mortes do que o consumo de drogas leves”, refere.

 

Já quanto a eventuais complicações legais, reafirma que “está tudo legal” e adverte que se os seus clientes “usarem, por exemplo, o cultivo de «cogumelos mágicos» para depois os venderem a terceiros, estão a praticar um crime de tráfico”.

 

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A notícia é de Fevereiro e no passado dia 15 houve apreensão de artigos que constavam da lista oficial de estupefacientes, segundo a agência noticiosa Lusa, tal como houve uma rusga poucos dias após a abertura da dita smart-shop.

 

Porque este assunto me é familiar, apenas me socorro deste texto por causa dos pontos de vista expressos pelo proprietário do estabelecimento e que são comuns a muitos consumidores de drogas ditas leves. Leve é o dinheiro que se paga por elas, e só.

 

De facto, o típico consumidor argumenta e faz pressão social chamando careta àquele que desdenha fumar drogas leves. Este tipo de pressão vem provavelmente desde os velhos tempos Hippicos. Diz que abre a mente, e diz muito bem. Tal como qualquer droga, os danos cerebrais, buracos se assim quisermos, são-no a longo prazo ou irreversíveis, consoante o padrão de consumo... ou deverei dizer, consoante o grau de abertura?

 

Estão documentados os efeitos associados ao consumo de drogas (leves), e não me vou alongar sobre os mesmos. Talvez baste dizer que psicoses de vário tipo, incluindo esquizofrenia tóxica (que dura apenas durante a presença das substâncias no organismo) ou permanente são possibilidades bem abertas à mente do consumidor.

 

Daí que as instituições que lidam com toxicodependência não diferenciam entre leves ou duras. Existem drogas apenas.

 

Não é que o proprietário da smart-shop é smart? A sua shop irá mudar mentalidades. Definitivamente.