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Saturday, 16 April 2005

Shouting a little

 

Through the universe I was spread!

 

Give me back that piece of me!

 

That happiness so flab!

 

That slice of totality!

 

 

Monday, 11 April 2005

Primafera

A hora é prima
e meu corpo fera
de reproduzir-te
em qualquer ar-te.
Meu corpo é farto
para polenizar-te.
Desflorar-te?
Não! Florir-te
e, nesse rito,
abelhar-te.
 

Sunday, 27 March 2005

A fava do filósofo

Na IC19 filosofava;

talvez pensando apenas.

 

Bom, o trânsito lá andava,

e os touros em suas arenas.

 

A fava no bolo era o tempo

passado, presente e futuro,

 

e o carro deslizava lento

quando a ideia teve um furo:

 

Será que o presente existe,

pois a percepção é do passado?

 

Talvez exista quando se assiste

à geração do que é pensado.

 

Nesse momento preciso,

o que é pensado se formula.

 

E como exemplo arrisco

a formação de uma palavra.

 

"Amor" foi a escolhida

de entre muitas ao acaso.

 

(Talvez não... mas o que importa, amor? O que importa?)

 

No nanosegundo (usando

uma medida humana possível)

 

em que o éme se está gerando,

por certo o á já é perceptível

 

apenas no passado. Foi-se.

E o ó é futuro? E o érre?

 

E todo o amor? Ausentou-se?

Isto é coisa que se berre

 

por aí, aos enamorados?

Este presente foge demasiado

 

rápido para os passados,

formando um futuro desejado.

 

Thursday, 17 March 2005

Mango-te

Debaixo da tua farta palmeira
Coco peludo por fora me sinto e de dentro lá dentro
Deleite escorro

O teu perfume que és tu sim tu porque não tu és tu sim
Abacata-me amazonicamente

E mangamente muito mangamente quase liquidamente
(Assim como és tu sim que me adoças)
Frutaste e agora és-me tropical




* * *

Aos meus contactos brasileiros, peço desculpa por vos roubar a fruta e a floresta... depois do ouro e da prata e de ter dado em troca uma cor de pele e uma língua. Apenas?

Saturday, 12 March 2005

A grávida manhã

De tanto amar naquela noite
A manhã seguinte espavoriu-se
A casa tinha tido anexos
Invadindo a estrada de sentido único
Agora lustrosa avenida
Bicicletas chupando o escape de cada viatura
O tecto pariu toldos ao seu redor
As janelas eram portas de tanto dilatar
Quatro paredes fizeram muros labirínticos
E o pobre sol nasceu grávido de lua

Wednesday, 9 March 2005

Análise Anasalada

Pretendo definir o teu cheiro
Que se definha no afasto
E engrossa a bebedeira do sentido
Quando seguro seguro me alastro
No teu pescoço alongado
No coito sobre-corpulento
Acima ou adentro que importa
Se o que definir aqui aspiro
É o teu cheiro que invado
Sem o ser de tua pouca porta
E falho contudo falho
Teu cheiro a minha horta
Imoderadamente vasto
Sensivelmente basta



 

Saturday, 19 February 2005

Aging to birth

Give me your toe tonight,
A small bone
That I will admire under a new light,
Separated and alone.  

Give me your right foot tomorrow
At the foot of your soul, 
Inscribed plant of joy and sorrow
If rinsed of anything foul.

Give me your feet together
On the very next day,
For both and toes will be a ladder,
To your spread legs a way.

Give me all your budding parts,
One new to add to the old
And let me praise our ancient arts
Of turning iron into gold.

Give them each kindly,
As darkness merges in daylight
And I will return them fondly,
Shivering spine, oh, starlight.


 

Wednesday, 16 February 2005

Da carne que assa e perpassa

Pensando em ti, pensando em mim,
Ambos por dentro,
Vejo-te causas, vejo-me consequências.
E no intermezzo, pelo meio, que vejo?
Um pensamento hoje;
Nas ausências, um desejo.

Acreditando em mim, acreditando em ti,
Em ambos confiando,
Dá-me as causas, eis as consequências.
E no intervalo, inverso, do desejo?
Carne assando ontem;
Na coincidência que antevejo.


* * *


Texto que foi coincidido com as linhas de Camilo Pessanha:
(...) O cheiro a carne que nos embebeda! / Em que desvios a razão se perde! (...)

Friday, 11 February 2005

O fim dos princípios

Princípios são pontos de partida para nada,
São o que apenas impede ser tudo
O que se recusa no início ser.
São quebradiços,
Ao ponto de serem cacos do passado
Que, depois de maltratados, iniciam a doer.

Princípios são meios que embargam atingir os fins
E, violados, roem por princípio
A mente que os ousou conceber.
Altivos são.
Sensíveis à corrupção da carne assada
No fogo que o outro diz que arde sem se ver.