que nos desagua o mar no palato,
o mesmo mar que te criou,
do qual foste colhida e,
esventrada, de ti sacado o lombo,
o teu deslumbre, ó nigiri de sardinha!
Apenas depois de provar-te
podemos entender aquele fenómeno:
o frenesim de tubarão, golfinho, e pássaro
em redor do teu novelo vivo,
investida após investida devorando;
minguando o teu novelo,
e o frenesim aumentando.
Trincar-te é sentir a pimenta e o sal
a fazer amor com a língua portuguesa
que te prova e aprova, e te reconhece,
como um amante que sabe amar,
comer-te, e ao comer-te ser devorado
e ver elevado o espírito a um píncaro de alegria,
por muito que esteja cansado.
* * *
