Tuesday, 16 January 2007
A tale before a grave
Wednesday, 1 November 2006
Três (divinos) pensamentos estereoscópicos
Emily Dickinson, poetisa do século XIX, pensou que os poetas, no seu melhor, "enxaguavam a linguagem" ("rinsed the language", no original). Os poetas recriavam a linguagem limpando-a da crueza ou estereótipo, incúria e rusticidade geral.
É caso para sublinhar, no seu melhor.
Diz Charles Simic, um poeta norte-americano de ascendência sérvia, no seu poema "Calamity Crier" (traduzo eu, "Pregador de Calamidades", e o que se segue também), "Quanto mais inocente acreditares que és, mais duro será para ti."
Nem um pio, digo eu.
E Voltaire (porque tudo o que é propriedade do ar sempre volta), num dos seus escritos espirituosos, nada inocente e enxaguando uma gargalhada com lágrimas, afirma que "As coisas demasiado estúpidas para serem ditas são cantadas."
Para fugir a esta temível sentença, há sempre a alternativa instrumental, e não me refiro a abrir o cérebro alheio com um bisturi.
Tentando, então, aplicar toda esta sabedoria à poesia:
Dumb-da-di-tu-dumb-dumb,
Futu-tu-tufu-tu-tu,
A-e-i-o-u-tardário.