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Friday, 10 June 2011

A Idade da Pedra

Na véspera do 10 de Junho, o Presidente por ti eleito ousou citar um médico do século XVI, Amato Lusitano de seu nome, que se referia a um paciente que recusava a suposta cura dos seus males: “Aos que não aceitam as ordens dos médicos, não se deve dar conselho médico.” Supõe-se que o Sr. Silva pretendia fazer uma analogia com a situação do país, o qual deve aceitar a cura da tríade que definiu os moldes da ajuda externa. E se só se supõe é porque nisto de encontrar cousa concreta no que o Sr. Silva emite, quando se digna fazê-lo, que venha o Diabo e o interprete. O que normalmente sucede.

Se não me falha a memória, a avançada medicina do século XVI prescrevia o sangramento como cura para grande parte das maleitas. Logo, não poderia ter sido melhor a analogia do Sr. Silva, e tão pouco se pode criticar o paciente que a tais cuidados paliativos se negue.

Hoje, nas comemorações do dia 10 de Junho, o Sr. Silva apela ao desenvolvimento do interior do país e ao equilíbrio da balança comercial agrícola relativa às importações e exportações. E depois condecora emocionadamente a Sr.ª Manuela Ferreira Leite. Talvez se siga o Sr. Loureiro, e todos os anteriores ministros do Sr. Silva.

Ao bem cunhado título de rei da banalidade junta-se o de rei do ridículo. Ridículo porque este rei anda nu, fingindo que nada contribuiu para o estado da nação, confiando sempre na constante decrepitude da memória para purificar o seu passado. Ridículo a comer bolo rei. Ridículo no tom de voz. Ridículo a balbuciar o hino. Ridículo sempre no seu dia da raça. Não é de espantar que todo o discurso deste homem seja uma grande carta de amor ao país: ridículo.

Ora, se se é duplamente rei, é-se imperador. E é aí, nesse domínio, que a dor impera.

Pegando nas preocupações do Imperador Silva e nos seus apelos, parece evidente uma solução: legalizar o cultivo e comercialização de marijuana. Talvez sob a marca Maria, em homenagem à bolacha e à bolachuda da primeira dama.


Parece proposta 
escandalosa. Sobretudo vinda de alguém que não consume tais tóxicos. Mas vejamos as coisas por outro prisma:


Poucos parecem interessados em, nem têm poder para, modificar o actual modelo económico. Portugal não tem uma matéria prima tão valiosa, caso do petróleo, que permita disfarçar a má gestão. E esta última parece ser fonte que não se esgota.

Assim, usaríamos o potencial agrícola do país na plantação de marijuana. De qualidade. Exportaríamos para a Holanda e para outros países que o seu consumo legalizassem, mais que equilibrando a balança comercial. Temos tantos cafés que seria fácil promover o novo tipo de consumo. Aumentaríamos a tão prezada turismo-dependência. Desenvolveríamos o interior do país. Pouparíamos na despesa do Serviço Nacional de Saúde com anti-depressivos. Seríamos a verdadeira jangada de pedra. E seriam tantos -íamos que nos iríamos tornar no Império da Paz e do Amor. Se bem que já seria tarde para nos tornarmos no pessoano Quinto Império (foram os EUA), safávamo-nos, menos mal, como Sexto.

Temos é que ser os primeiros, tal como nas Descobertas. Mas para isso têm que me dar cavaco.