Thursday, 1 September 2016

From close to closure - a toast

"I'm emotionally crazy right now," saía da rádio que poluía a esplanada ribeirinha onde fui tomar o vodka com laranja natural -- três euros, é um preço que já quase não existe em local semelhante àquele e em Portugal. E, esse vodka, tomava-o no afogar dessas emoções sempre tontas, sempre tantas, de saber que a Jennifer se entretinha com um amigo novo. Ora não há assexuada amizade entre homens e mulheres heterossexuais: É uma questão de tempo e oportunidade; estado de todos nós antes de a outros nós nos entregarmos. 

Ao saber desse estado Jenniferiano, não mais consegui continuar a nossa conversa telefónica, devido às emoções queimando no peito e, como água na cafeteira ao lume, subindo e misturando-se com a cafeína, que se mistura com o sangue, e que nos levanta e força à cafeína reagir, no meu caso a tomar um duche, fazer a barba, passar no cabeleireiro a que tinha antes desistido de ir neste dia mesmo, mas que agora tarde demais era: A aparadora de cabelo tinha-se ausentado; a depiladora removia pêlo nas traseiras (não sei se do traseiro), e as minhas orelhas tiveram que ficar frondosamente protegidas de agressões externas mais uma dia, pêlo sim pelo não.

E fui, a passo firme, a passo irado, até à beira-rio, até à esplanada, de onde as emoções se podem lançar para desaguar e diluir no Atlântico de águas frias, as quais as emoções quentes, se experientes, buscam. 

E, na esplanada, ambicionava eu saudar pela primeira vez uma nova amiga, mas sobre a Jennifer nada lhe dizendo, contudo dando-lhe atenção tão intensa como se ela fosse a Jennifer. E se isto que te digo te soa a infantil é porque é verdade. Tivesse eu tomado as rédeas do discurso e estaríamos ambos agora lendo uma poesia, porque ler não é um acto solitário, a menos que estejas lendo o que antes escreveste... E mesmo assim!... 

Depois deste pôr-do-sol irei pôr-me-belo, e o que vier receberei de braços abertos, livres que estão da forma do corpo ausente da Jennifer. 

É com estranho prazer que me expresso aqui em português, uma língua que por muito que ela a estude jamais a sentirá porque não a viveu -- tal como eu não vivi em inglês, ou, melhor, se o vivi foi-o noutramente.

Não te iludas -- eu quero que ela viva essa outra vida que agora se lhe apresenta. Não odeio no amor. Apenas queimo os cabos e as amarras que nos atavam um ao outro. E para isso um cigarro basta, seja a sua ignição por fósforo ou por isqueiro (por pedra pederneira ou por espelho demoraria mais do que este texto delonga). E desse cigarro se faz mecha, e dessa mecha se faz a queima, e daí naturalmente fumo.

Vem beber um vodka laranja, essa bebida cor-de-chama, em brinde e hino ao pôr-do-sol, tudo bem rimado com álcool.  

António's box is open, never as destructive as Pandora's.

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