Wednesday, 25 April 2012

“Eles andem aí!”

Estou a tentar pagar a dívida que contraí quando nos ofereciam crédito por todos os lados. Pensando nos telefonemas que recebia de tempos em tempos, posso dizer que até me o ofereceram pelas orelhas, a ver se eu engolia. Valha-nos Deus por essa biológica impossibilidade. Nesses tempos era mais barato comprar casa do que arrendar, logo comprei casa.


E, com as medidas até agora tomadas, o governo cada vez mais está a tentar privar-me de pagar o que devo, enquanto que o problema do país é o excessivo endividamento privado. Porque me considero um dos assalariados no topo do grupo dos mal pagos, não é difícil imaginar a pressão que está sendo exercida daqui para baixo.

Instrua-se, pois, a polícia para reagir à mínima provocação no dia 25 de Abril de 2012. Como é que isto pode fazer sentido?

Andava eu intrigado de onde viriam estas idéias que tão alienígenas parecem ser. E foi então que me lembrei do filme, ou documentário encapotado de filme, MIB - Men in Black.

O mau da fita, para quem não vê filmes divertidos, é um insectóide que tem dificuldade em estar confortável dentro dum corpo humano; o hospedeiro.


E pela manhã fez-se-me luz. Ou talvez se tenha feito matinal divino fruto, já que o que me apareceu como que por visão foi o ministro Álvaro Santos Pereira. Lembras-te dele estar irritado porque pensava que estavam a insultá-lo por ser emigrante? Ora, emigrante é, mas dos que vem do sideral espaço, ou do espaço siderado; não me ocorre agora como é que se diz.

E o ministro Relvas? Tem um nome rasteiro mas é só para disfarçar, que ele vem é muito lá do alto. É tão alta a sua patente que passa todo o tempo a comunicar por aparelhos electrónicos com a nave-mãe. E como se vê pelo olhar inquieto e gestos desconchavados, ele é um insectóide desconfortável na pele que veste. Tal como o Álvaro.

Já o ministro Gaspar teve um problema na ligação da traqueia de insectóide à do corpo hospedeiro. E por isso fala pausadamente para não se notar. E por isso nota-se.

Certo, tal como o faria qualquer espécie alienígena que tivesse delineado bem a estratégia de invasão da nossa amada terra, alguns ministros hão-de ser humanos para ajudar à farsa. E o primeiro-ministro bem me enganou por uns tempos. Mas ele deve ser é uma versão melhorada de insectóide. É que, se fosse humano, envergonhar-se-ia de andar sempre a dar a palavra dada por não dada. E aquele sorriso também ficou mais um arreganhar de dentes do que outra coisa, de tão impostor ser. A última dúvida foi-se-me quando pensei no modo como discursava: nenhum humano conseguiria aguentar tanto tempo e tanta entrevista naquele modo mecânico sem dizer absolutamente nada. Sim, qualquer humano, por muito que gostasse de ouvir o seu próprio timbre de voz e apreciar o seu próprio raciocínio, adormeceria. Mas o insectóide disfarçado de roedor dura, e dura, e dura; muito mais do que o outro coelho duradouro.    

Na primeira vaga de invasores, deve ter vindo o Sr. Cavaco Silva, o Sr. Alberto João Jardim, e até o Sr. Fernando José da Costa, autarca pelas Caldas da Rainha que tanto ajudou à infiltração da força insectóide na estrutura do PSD. Eles vieram como batedores. E tanto bateram que nós já estávamos acostumados a ver insectóides disfarçados de humanos quando agora a força principal nos caiu em cima.
Sei que é feio e incorrecto julgar as pessoas pela sua aparência. Mas cá me parece, e vendo-se-lhes a política, que estes senhores vieram para nos comer.


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Hoje sou também um Man in Black pela ocasião do falecimento de Miguel Portas, a quem se dedica este texto apesar do texto não o merecer.