Afinal até Deus precisa de descanso.
Pena que nesses dias Lhe emprenhem os ouvidos de preces.
Mas, por favor, remova-se do calendário o mês de Agosto.´
Quanto àquele, há pouco mês tão politizado.
Quando ele chega, a gosto lança-se novas medidas.
Medidas que, num Abril, seriam de grande desgosto.
Vinte e cinto dias deste Agosto assemelham-se a década.
Ainda não se foi o mês, e já se me foi um terço do décimo quarto.
Há anos, mudei lâmpadas e hábito de consumo de electricidade.
Passei a poupar no lavar da louça, no barbear, e no duche.
Consoante a perspectiva, ando mais porco ou menos lavado.
E o que aconteceu neste Agosto?
Sobre essa poupança, toma lá imposto sobre o valor acrescentado.
Nada recomposto do que me tinha trazido o mês, novo aumento.
Em lugar de irmos embora do Euro, chega-nos a Euribor e sobe.
Passou Junho, passou Julho, chega Agosto e dispara o juro.
Pois se ouvir passos dum qualquer coelho juro que disparo.
Se Agosto fosse mês primaveril seria um mês bem verde.
Mas a corda das finanças aperta-me a garganta da carteira.
Assim verde estou eu neste mês de médio estio tão verdugo.
Por favor, remova-se do calendário o mês de Agosto.
Ou, no mínimo, mude-se-lhe a porra do nome.
Ou mude-se o nome a mim.
É que eu sou António, membro do povo anónimo.
Não sou nem rico Amorim nem augusto Augusto.