Sirvo apenas três senhores:
o sono, o erro e o medo.
As três divindades são elas,
a fome, a sede e a sede.
Os outros três os neutros
não sei, sei lá, e que sei.
Ordenado por todos,
uns em cima, no meio, debaixo,
mandaram-me abrir a boca fantoche
e anunciar no seu marketing divino
que deuses exclusivos, maiúsculos,
vendem ilusão por deslumbramento
e pão ao preço da carne.
A sede, a outra, em bocejo
pediu-me uma última nota:
Que o encantamento está no mistério,
que o mistério é tão só desconhecido,
que se deve procurar como amigo,
abraçar como estranho e louvar
a nossa falta de tempo, espaço,
memória transtornada em magia.
(Texto interligado a Apagão)