Saturday, 27 August 2005

Antagónico

Para cada coisa que se faça,


Há um movimento antagónico.


 


É a barreira que urge saltá-la,


É o muro contra o qual se esbarra,


É a vida querendo retomar a farra.


 


Ainda hoje não se sabe ao certo:


Se deixar tudo na mesma,


Se bater mesmo em tudo.


 


Apesar de quieto, o tempo passa.


Quando acelerado, cai-se na poça.


 


Há um movimento antagónico


Para cada coisa que se faça.


 


Para cada coisa que se faça,


Há um movimento antagónico.


 


Toda a vida nasce como de novo,


Toda a política é como do velho.


 


Passa fome ou faça muito frio,


Casaco de pele e um arrepio,


Não há melhor remédio.


 


[Até para uma estrofe de três versos sonegada]


.


Há um movimento antagónico


Para cada coisa que se faça.