Ainda não sabia, passado trinta e muito ano,
Se tu eras a louca da história ou eu o autista.
Se tu eras a louca da história ou eu o autista.
Andava, sem o saber, como sempre,
Procurando por uma pista.
Primeiro encontrei, sem o querer,
No fundo dum armário, cada carta
Reclamando do pouco que recebia.
E, de repente, como sempre, sem querer,
Fico a saber qual a sentença:
A rapariga que esperava muito
as cartas do namorado
que lhe escrevia muito pouco
casou-se com o carteiro
Adília Lopes
in A pão e a água de colónia, 1987
in A pão e a água de colónia, 1987