Saturday, 23 January 2016

Presidenciais 2016

Marisa Matias
Quanto a não lançar o voto, desculpas poucas houve, incluindo a proposta de nem sequer comparecer às urnas, que é a de Saramago no Ensaio Sobre a Lucidez. O autor é mais do que admirado por aqui, mas aquela obra de alguns defeitos se enfeita, mormente o de que isto é uma democracia, ou a ela tende. Perfeição só nos olhares de Blimunda. E onde a podemos mirar? Na ficção puramente. 

Eu cá não sei. Marcelo tem a maioria dos votos antes de os ter, mas, perdoa-me, eu queria uma Marisa Matias por presidente. É que o argumento mínimo para tal é que teríamos uma presidente sexy. O argumento mínimo, disse. E se a Marcelo louvo a inteligência, a cultura, e a flexibilidade na coluna vertebral, não há como suportar a flexibilidade dessa mesma coluna vertebral. É como falar com um louco: 
 Como te chamas?
 Mário.
 E precisas de ajuda para encontrar um local para dormir esta noite?
 Eu não!... Mas o Soares pode precisar. 
 Quem é o Soares?
E o louco aponta, sorrindo, para o seu peito, tocando nele três vezes com o indicador.
 Bom... Nesse caso, até domingo, Mário! Até domingo, Soares!
 Ora vai chamar nomes a outro! Eu cá chamo-me Rebelo. Não é, de Sousa?

No caso de Sampaio da Nóvoa, há algo de sebastiânico no personagem, e não se sabe bem se é da proximidade linguística a névoa, se o é a nódoa. E a frase "Maria de Belém em Belém" não soa bem também. Tino de Rans, apesar das deficiências, apresenta um profissional e seguramente pensado populismo que parece revelá-lo apto para nos "encanar a perna à rã." Quanto aos restantes, abstenho-me de falar, não por falta de respeito mas por falta de votos com que cada irá contar; o avozinho do meu pessimismo primário, Henrique Neto, que me perdoe. E Edgar Silva, que Deus o tenha...

Vota M.M., e vamos lá viver um pouco num Portugal menos saudoso e bastante mais sexífero. *
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* Tal é bónus para destaque na imprensa internacional e, sequentemente, no turismo bónus.